Maria Ivone Vairinho e Poetas Amigos

Dezembro 30 2009

 

I

Era noite de Natal

Ouvia-se tocar o sino

Todo o povo em geral

Ia beijar o menino

II

Tocava o sino na aldeia

Ouvi-lo era um regalo

Logo a seguir à ceia

Iam p’ra missa do galo

III

Corria o povo em fileira

Em festa de harmonia

Porque o cepo de oliveira

No adro também ardia

IV

Corriam para o calor

Depois de beijar o menino

Em tudo havia amor

Até no toque do sino

V

Havia bonecas de trapos

Carrinhos de bois em madeira

Pombas que batiam asas

Para o sapatinho da lareira

VI

Agora tudo é diferente

Prendas de muito valor

Mas no coração da gente

Há muito menos amor

VII

Porque há muitos velhinhos

Que Natal já não têm

Nem afagos nem carinhos

Nem o apoio de ninguém

VIII

Também há muita criança

Tudo isso me consome

Que têm Natal sem esperança

Sem brinquedos e com fome

IX

Menino Jesus vem à terra

Na noite abençoada

Paz aos homens fim à guerra

Na noite da consoada.


 

Elisa Claro Vicêncio

Postado por Liliana Josué

publicado por cantaresdoespirito às 20:05

Dezembro 30 2009

                                                                                 I

A caminho de Belém

Os Reis vão a caminho

Ver o filho da Virgem Mãe

Que nasceu tão pobrezinho

II

Andaram noites e dias

Sozinhos pelo deserto

P’ra visitar o Messias

E adora-lo de perto

III

Montados em camelos

Belxior, Baltazar e Gaspar

Guiados pelas sete estrelas

Para o Menino adorar

IV

Atravessaram o deserto

Num secretismo profundo

Para adorarem de perto

O Salvador do mundo

V

Vieram vê-lo bem ao pé

Deitado na manjedoura

Com Ele este S. José

E a Virgem Nossa Senhora

VI

Vieram do Oriente

Para adorar o Menino

E trazerem um presente

Porque Ele é pequenino

VII

Trouxeram-lhe um borrego

E um odre com jeropiga

E trouxeram-lhe um talêgo

Com ouro incenso e mirra

VIII

Vinde Reis e pastorinhos

Na noite cheia de luz

Trazer vossos presentinhos

Em Belém nasceu Jesus


 

Elisa Claro Vicêncio

Postado por Liliana Josué


 


 


 

publicado por cantaresdoespirito às 20:00

Dezembro 30 2009

Numa noite, negra e fria

Muita chuva, muito vento

Uma estrela do céu descia

Iluminando o firmamento…


 

Anunciando a cada pastor

Que junto ao gado dormia:

- Já nasceu o Redentor

O filho de Maria.


 

Os anjos cantam louvor

Os pastores levam presentes

Bendizendo o Criador

Vêm os reis do Oriente.


 

O menino nas palhinhas

Talvez de frio a tremer

Olha sorrindo as vaquinhas

Prontas para o aquecer.


 

Passou tempo e o Deus menino

Nos nossos corações quer nascer.

Vamos arredar caminho

Vamos o menino receber.


 

O menino é aquele

Que mora mesmo a teu lado

Esperando aquele sorriso

Que sempre lhe foi negado.


 

O menino é o velhinho

Que passa, mas não o vês

Carente de carinho

Abandonado talvez!


 

O menino é a criança

Amigo podes crer!

A nossa flor de esperança

Que os homens tentam colher.


 

Se olhares a teu lado

Aqui longe de Belém

Vês o menino deitado

Tremendo de frio, também.


 

Abre-lhe o teu coração

Deixa nascer o menino

Que estiver perto irmão

Dá-lhe amor, dá-lhe carinho.


 

Assim, irá acontecer Natal

Que se irá estender

A todo o nosso Portugal.


 

Maria Jacinta Pereira

Postado por Liliana Josué


 

publicado por cantaresdoespirito às 19:56

Dezembro 30 2009

As lágrimas que tentam deslizar

Pelos rostos, enrugados como o meu

São tudo o que vamos ofertar

Na hora de prestar contas a Deus.


 

As lágrimas, que as rugas, vão vincando

Lágrimas de dor, lágrimas de mágoas

Da nossa alma, o pecado vão lavando

Benditas sejam, as nossas lágrimas.


 

Gotas de orvalho, lágrimas de criança

Caídas em plena madrugada

Lágrimas de mulher, dor, esperança

Lágrimas de mãe, doces, amargas.


 

Lágrimas perdidas na solidão

Que deslizam pelos rostos enrugados.

As que brotam do coração…

Lágrimas, de quem se julga, abandonado.


 

Lágrimas de alegria, ou de dor.

De crianças, ou de mulher sofrida

Todas elas têm a mesma cor

Todas são sinal, que em nós, há vida!


 

Maria Jacinta Pereira

Postado por Liliana Josué


 

publicado por cantaresdoespirito às 19:47

Dezembro 30 2009

Há raios e coriscos nesta tarde!

Fecho as janelas, mas o vento sopra

Com tanta força que perfura a roupa

E apaga, na vela, a chama que arde…

 

 

 

E, daquele céu de chumbo, a água cai

Em torrentes brutais, como quem vai

Inundar toda a terra a qualquer hora…

 

 

 

Ainda sonha um homem, sem cuidado,

Pois sabe que a tormenta irá passar.

 

 

 

Irá brilhar de novo… [eu só condeno

quem nem sequer o saiba acreditar…]

 

 

Um muito Feliz 2010 a todos os Poetas da APP!

Possa o novo ano trazer-nos Paz, Amor e Criatividade!

 

Maria João

 

Amanhã ou depois, um sol ameno

 

Algures, num canto seco e abrigado

 

Um trovão, ribombando, ecoa agora

publicado por Maria João Brito de Sousa às 12:22
editado por mariaivonevairinho em 01/03/2010 às 17:56

Dezembro 27 2009

 

Desencanto de Natal
 
Nasceram crenças.
Edificaram-se religiões, qual delas a mais verdadeira.
Panaceias para a solução dos problemas e insuficiências do Homem.
Do belicismo conceptual ou pragmático a que se devotaram, foram germinando a partir das sementes do medo ou da ignorância, em coexistência pacífica com laivos de idolatria e superstição.
Os profetas anteciparam o surgimento de messias, presenças sagradas no seio do mais profano caos. À descontinuidade do espaço juntara-se a descontinuidade do tempo.
A boa-nova propaga-se e incendeia esperanças: - Vai nascer o salvador da Humanidade.
Nasceu. Nasceram. Criados à imagem e semelhança do Homem situado na sua conjuntura, reforço endogâmico propiciador de ferozes xenofobias.
Em nome da verdade, sempre em nome da verdade.
Aos ídolos e deuses antropomórficos sucederam seres perfeitos e inatingíveis, omnipresentes e omniscientes.
Nem por isso a convivência se tornou mais pacífica
Fizeram-se guerras, continua e continuará a combater-se: Caim não desiste de matar Abel.
Escolhamos um pedaço roto deste planeta degradado. Além de se matarem uns aos outros, seres insensatos também querem destruir a sua aldeia, a sua morada. Como se não bastasse a fúria dos elementos naturais.
Da terra destroçada erguem-se gritos de dor, espreitam despojos humanos por entre lama sangrenta. Através do calor fumegante, assistimos ao desfile dos mortos e estropiados, mãos sem mãos que apontam para nada, ossos rubros de fantasmas em lenta procissão nas sombras da madrugada.
Com eles se cruzam os predadores, dentes de aço cerrados em sulfurosa excitação. Vão à caça dos irmãos que até agora conseguiram inexplicavelmente sobreviver.
Deixaram, para trás ou pelo caminho, crianças amputadas de inocência sem se esquecerem de lhes encher de fome as barrigas opadas, sem lhes mitigar a sede ou afugentar os insectos repelentes que nelas se saciam.
Mais além, apregoarão que tudo se fez pela paz, pela liberdade. E vitoriarão a santidade dos salvadores que os inspiraram contra a rebelião dos que apenas acreditavam noutras verdades.
Coitados dos desvalidos da fortuna que bebem na poesia néctares de amor por vizinhos e inimigos. Sabem que a paz é humana e não erguem tal bandeira sobre divinos devaneios. Sofrem certamente mais que os outros.
Mas salvadores de todas as crenças e religiões renascem ano após ano pela voz de acólitos inflexíveis a recordar dogmas que só a fé pode explicar e a renovar a sua voracidade ou estranhos convites ao sacrifício penitente.
 
Onde moram afinal a Alegria e a Solidariedade?
E onde pára esse tão apregoado espírito de Natal?
Em anos anteriores também nada aconteceu de novo.
 
Tantos salvadores e tão pouca Humanidade!
 
                                                    joaquim evónio
         Dez 1999  
 
(In “Sercial & Malvasia”, Joaquim Evónio, Ed. Temas Originais Lda., Coimbra, 2009)
 
 
publicado por appoetas às 16:15

Dezembro 26 2009

publicado por appoetas às 18:39

Dezembro 26 2009

Beleza maior

 

Não há beleza maior
Que o ventre de uma mulher,
Quando ela, por amor,
Traz ao mundo um novo ser.

 

Aos poucos fui descobrindo
Toda a beleza que tem
Um filho, que vai florindo
No ventre de sua mãe.

 

Se fostes sonho algum dia
Vós sois a minha verdade,
Sois o amor que eu queria,
A minha realidade.

 

Sois vida que eu gerei,
Pedacinhos do meu ser,
Quem na vida mais amei,
A razão do meu viver.

 

O amor de mãe é profundo,
O amor de mãe é sereno,
Não há outro amor no mundo
Que valha esse amor eterno.

 

Albina Dias

 

 
publicado por mariaivonevairinho às 18:19

Dezembro 26 2009

ERAM FLORES BRANQUINHAS (Queda de neve na Amadora em 29/01/2006)

 

Era uma dança de flores

Branquinhas, a acenar,

Rodopiando no ar

Tão leves, tão graciosas,

Era um etéreo ritual

Destinado a me encantar,

Era um bailado de mariposas.

 

Tão airosa, tão ligeira,

A dançar do céu à terra

Em múltiplos floquinhos,

Era uma nuvem de algodão,

Eram confettis em explosão,

Eram flores de amendoeira

Que, de forma fagueira,

O vento lançava ao chão.

 

Tomada pela emoção

Ante a inesperada beleza

Do cenário de magia,

Pela  inaudita surpresa

E incrédula estupefacção,

Cri-o sonho ou fantasia

Que, produto apenas seria,

Da minha imaginação.

 

MARIETA  ANTUNES

publicado por MARIETA ANTUNES às 17:49

Dezembro 26 2009
Com calorosa amizade para os meus amigos muito especiais
 
MENSAGEM DE NATAL  é hoje o poema declamado com o qual
em jeito de cartão de Boas-Festas apresento a todos os meus amigos
espalhados pelo mundo desejos de um... FELIZ NATAL...
Ouça e veja Mensagem de Natal em poema da semana ou aqui neste link:
 
http://www.euclidescavaco.com/Recitas/Mensagem_de_Natal/index.htm
 
Convido-os a sintonizarem o meu programa FADO E POESIA em:
www.ondasmusicais.com
dia de Natal às 22:00 horas de Lisboa e 17:00 do Canada.
 
Boas Festas
Euclides Cavaco
cavaco@sympatico.ca
 
Venha tomar comigo um cálice de poesia...
Entre por aqui na minha sala de visitas:
www.ecosdapoesia.com
 

 

Nota

 

Porque estive ausente, o seu poema sai atrasado, mas não desactualizado - ainda é Natal e bom seria que fosse todos os dias!

Maria Ivone Vairinho

publicado por appoetas às 16:54

Este blogue está aberto aos co-autores e Poetas Amigos de Maria Ivone Vairinho
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